As mudanças são guerras que competem com a gente mesmo. Você está campo de batalha e sua espingarda está voltada para seu próprio peito. E quer atirar, quer ir adiante, mas há o medo de ofender e faz covarde. É preciso mais que coragem para se libertar e permitir mudar-se.
Quando a gente sai do bairro onde nascemos e vamos para um outro lugar, possivelmente uma outra cidade sentimos que uma parte de nós fica incompleta, um vazio perturbador fere a vida.
E dai, depois de um tempo, nos adaptamos a um novo lugar.
Uma vez perdemos a pessoa que acreditávamos amar mais que tudo nesse mundo. Cortamos o cabelo de uma forma bem diferente, tingimos os lábios com um carmim qualquer, morremos, renascemos e seguimos em frente, em linha dura.
Outra vez, encontramos um alguém desconhecido na fila do banco, no banco da praça, dentro do trem, ou mesmo no ponto de ônibus que com simples palavras dirigidas sem intenção catequética transforma metaforicamente tudo o que se passa em nossas vidas e dá uma nova visão do cotidiano. Já não estamos mais iguais, como havíamos chegado por ali.
Acredito que o único passo maior que a perna é mudar. Cada nova manhã traz uma outra proposta, cada novo dia é uma oportunidade. Só os cegos para a vida são incapazes de enxergar esta clareza. Somente os mais medrosos e covardes não se permitem arriscar. E só os mais impiedosos não aceitam as mudanças.
Recomeçar é diferente de mudar. E mudanças são diferentes de recomeços.
Eu estou aprendendo a recomeçar.
Eu estou aprendendo a mudar.
Estou apta a ser este misto de metamorfoses...
Nenhum comentário:
Postar um comentário