sábado, 11 de abril de 2009

Paradigma - Vento no litoral


De tarde eu quero descansar,
chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
Quando vejo o mar
Existe algo que diz:
- A vida continua e se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?

- Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora


Sobre nós

São caminhos só isso...
Caminhos opostos de pessoas que acreditavam em ruas paralelas se encontrarem no final.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Saudade

Saudade é uma badalada de sino que tocaou depois do tempo...
Saudade é uma coisa louca qe come a gente da alma aos ossos...
Saudade é um porto que aguarda ansioso o barco regressar...
Saudade é música ritmada em sintonia ao coração...
Saudade é um animal no cil que não sacia sua fome...
Saudade é vendaval que varre o que cremos ser sólido em nós...
Saudade é uma porta sem trinco, uma maçaneta sem fechadura...
Saudade é chuva de verão que vai e vem e talvez fica...
Saudade é um livro que tiramos da estante para ler...
Saudade é roupa suja que transbordou para fora do cesto...
Saudade é uma ressaca que morre na areia...
Saudade é uma loucura presente presente dentro de um camarim...
Saudade é céu a espera de aviões...
Saudade é um universo todo dentro de um mundo...
Saudade é telefone descangalhado que nunca deixa de tocar...
Saudade é um trem que chega e parte e volta na primavera...
Saudade é beijo molhado, abraço apertado, olhar suspenso...
Saudade é uma trilha sem destino que vai circular...
Saudade é uma queda livre, um precipicio, um abismo...
Saudade é uma maquiagem da bailarina que borra...
Saudade são reticências que não querem existir!


sexta-feira, 27 de março de 2009

Por Ada Teixeira - Um Minuano

Conversava com minhas adoráveis amigas Daiane e Mayra nesta semana, num bar bacana, que fica ali em frente a praça Dom José Gaspar no Anhangabaú. Gosto do clima quente, à meia luz... Das pessoas que frenquentam bares noturnos com ar misterioso suspenso no olhar e trazem no semblante uma solidão incontestável.
Tocava música ao fundo. Um rapaz baixinho, com um violão acústico, tocava o que lhe pedia. E tocava bem. De Roupa Nova a Velha Guarda.
Minha amigas adriram a Cabala. E falavam sobre suas novas experiências e expectativas. O silêncio das ladainhas tecidas sobre a vida foi rompida por um comentário da adorável Daiane: "Músicas são como novos abraços daqueles que um dia passaram por nossos caminhos." Recuperei os pensamentos perdidos na imensidão do meu próprio mundo, enchi os copos com mais cerveja, brindamos e permeamos um pensamento musical.
As pessoas são músicas, as palavras são partituras, as idéias são canções... Tudo tão fragmentado, embalado em ritmos compostos pela exatidão do momento em que se vive. E hoje é dia de frevo.
Tenho sentido a vida colorida e os sons que vibram e permeiam a minha existência fazem com que eu dance um ritmo nada funesto, mas sim alegre. Os assobios de um instrumento qualquer, a sinfonia de uma valsa contente e os passos de um flamenco cadenciado. Tanta sofisticação, tanto barulho... e rompem com o nada.
Depois de umas e outras, Mayra assumiu o medo da noite. Daiane sorriu e disse adorar a noite. Eu, por minha vez, afirmei amar gente - nem todo mundo gosta das pessoas.
Foram umas birinights à mais. Uns risos daqueles que não damos a todo o tempo. Foi um minuano que varreu a poeira que adentrava em nossas almas impedindo-nos de permitir certas coisas, de nos permitirmos para a vida enfim.
Brindamos pela última vez cantando em coro: "SIM, TODO AMOR É SAGRADO!"
E já era hora de partir... O bar haveria de fechar.







quinta-feira, 26 de março de 2009

A fase

A música é algo fundamental na minha vida. Gosto de cantar, embora não tenha muita afinação. Sinto-me conectada comigo mesma quando ouço uma voz entoar sentimentos que passo, vibrar em ritmos que me balançam.
Hoje, exatamente hoje, estou me sentindo excluída da música... Parece-me que elas tocam, mas não me encontram.
Aconteceu coisas que eu temia: Tenho nas mãos algo que não pertence a mim. Está ao meu lado, faz-me crescer e também pular na linha do trem.
Nunca gostei dessa sensação de antítese. Deste vazio de ser e ter. Desta metade do inteiro que está na minha alma.
Por que será que as pessoas tem tanto medo de ser feliz e de me fazer feliz? - Eu fui feita para ser feliz! Ainda que sozinha.
Tenho criado uma porção de teorias acerca do ser humano e cada vez mais sinto vontade de ficar sozinha, isolada dessa humanidade toda.
E as horas tem varrido os dias para longe de mim.
Percebo um desespero de ver o tempo, de sentir o tempo, de não sentir nada, de nada ser concreto.
Percebo-me amargurada, angustiada, aprisionada. E de que importa? - Amanhã é um outro dia. E espero estar bem e mais animada para continuar navegando na vida...


terça-feira, 17 de março de 2009

As coisas que ainda farei:

1º Andar nua na areia da praia;
2º Ir num show da Bethânia;
3º Pular de um lugar bem alto;
4º Tomar um porre e esquecer até meu nome;
5º Casar;
6º Conhecer Roberto Carlos;
7º Desfazer das velhas agendas;
8º Aprender a dançar bonitinho;
9º Tocar um instrumento musical que me agrada;
10º Cortar meu cabelo curtinho.

As coisas que me deixam mal-humorada:

1º Gente que fala alto;
2º Ser acordada;
3º Deixar o telefone tocando e não atender de propósito;
4º Andar em meio a multidão;
5º Esquecer coisas importantes;
6º Feriados em ócio;
7º Mexerem nos meus pertences;
Joguinhos de adivinhações;
9º Meia verdades;
10º Atrasos.

As coisas que mais me agradam:

1º Ouvir Chico Buarque como suas músicas cafonas;
2º Olhar para o teto do meu quarto e imaginar tragédias alheias;
3º Conseguir chegar ao meu destino quando saio;
4º Conversar com gente inteligente;
5º Dormir durante a tarde;
6º Abraçar bem forte;
7º Ver pessoa bonita de longe;
8º A temperatura fria;
9º Frequentar a botecos diferentes;
10º Descobrir coisas óbvias.

Nos ultimos tempos...

Justamente eu que sempre achei que tinha razão em tudo, acabei de me perder entre as emoções da vida.
Descobri como é sentir saudades de alguém que acabou de partir. É que esse ser foi tão depressa que faltou um adeus final.
Descobri a intensidade de um olhar retribuído. As pessoas quando querem te convencer fitam profundamente a retina e apelam.
Descobri o tempo. Cada homem leva seus minutos, suas horas, seus segundos para entender suas verdades.
Descobri o poder das palavras. Algumas poder ser fieis, brandas e renascer o despedaçado. Outras podem ferir mais que machados as árvores, perturbar e enlouquecer.
Descobri o gosto do beijo de amor. Aquele que mesmo lento acelera o coração, acelerado acalma a alma.
Descobri o peso das escolhas erradas. A gente age e depois o tempo e a lógica não permitem retornarmos.
Descobri as tardes de ócio. Pude aproveitá-las melhor depois de tê-las perdida uma vez. Gosto de ficar sem fazer nada fazendo algo.
Descobri músicas e músicos. Ouvi canções loucas e insanas, bem orquestradas e mal compostas. Ritmos lentos, rápidos e funestos.
Descobri gente. Que ri, fala besteiras e bobagens, que fala sério, que sofre de amor e que não sabe perder.
Descobri a mim, as minhas variações, meus medos, minha coragem, minha audácia, meu recuo.

E estou tão feliz...